Skip to content

Futilidade W. D. Joske

by em Junho 26, 2013

FUTILIDADE
W. D. Joske

Direi que uma actividade não tem valor se não tem mérito intrínseco, de modo que a sua execução tem de se justificar por referência a uma finalidade exterior. Uma actividade que não seja senão um trabalho difícil e monótono é assim uma actividade sem valor. […]

Uma actividade pode, é claro, ter sentido ainda que não tenha valor, desde que seja executada por causa de uma finalidade com valor. A uma actividade que não seja empreendida com vista a alcançar uma dada finalidade dou o nome de «sem propósito». Uma pessoa que chute uma bola contra uma parede sem ser para melhorar a sua saúde nem para ganhar dinheiro estará a entregar-se a uma actividade sem propósito. Se a actividade não é desprovida de valor, não é absurdo fazê-lo. Na verdade, o próprio facto de uma dada actividade não ter propósito pode contribuir para o prazer que nos dá, tornando-a mais verdadeiramente um passatempo.

Em contraste com as actividades sem valor e sem propósito, uma actividade é trivial se, apesar de ter um propósito, este propósito carece de valor suficiente para justificar a sua execução. Estes são casos em que a finalidade não é suficiente para justificar os meios.

Se a falta de valor, o sem propósito e a trivialidade fossem os únicos aspectos que pudéssemos usar para sustentar a afirmação de que uma dada actividade não tem sentido, teríamos realmente dificuldade em ver como os estados de coisas exteriores aos valores de quem age poderiam tirar o sentido a uma actividade. […]

Direi que uma actividade é fútil se, apesar de ter um propósito ou de precisar de uma finalidade para lhe dar pleno sentido, o mundo impede que se alcance a finalidade pretendida. […]

Thomas Nagel dá-nos o exemplo do homem que profere um discurso brilhante e persuasivo em defesa de uma moção que já foi aprovada. Outro caso de Nagel é o da apaixonada declaração de amor feita a uma mensagem telefónica gravada.

W. D. Joske, Filosofia e o Sentido da Vida, 1974, trad. de Desidério Murcho, p. 304

Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: