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Argumento do sonho – Meditações Metafísicas – Descartes

by em Junho 26, 2013

Todavia, tenho de considerar aqui que sou um homem e, por conseguinte, que tenho o hábito de dormir e de me representar, nos meus sonhos, as mesmas coisas (ou algumas menos verosímeis). (…) Quantas vezes me aconteceu sonhar, de noite, que estava aqui, que me encontrava vestido, que estava junto à lareira, embora estivesse completamente nu, no meu leito? Neste momento parece-me que os olhos com que olho este papel, e esta cabeça que movo, não estão adormecidos; que é com um desígnio e com um propósito deliberado que estendo esta mão e que a sinto: o que acontece no sono não parece tão claro nem tão distinto como tudo isto. Mas, pensando nisso cuidadosamente, lembro-me de ter sido frequentemente enganado, quando dormia, por semelhantes ilusões… E, detendo-me neste pensamento, vejo tão manifestamente que não há indícios concludentes, nem marcas suficientemente seguras através das quais se possa distinguir a vigília do sono, que fico muito surpreendido; e a minha surpresa é tal, que é quase capaz de me convencer de que estou a dormir.

DESCARTES, René, Meditações Metafísicas, trad. Regina Pereira, Rés-Editora, Porto, 2003, pág. 12 e 13.

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