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Análise comparativa Descartes – Hume

by em Junho 26, 2013

A ORIGEM DO CONHECIMENTO:

Existe alguma fonte prioritária de conhecimento?

Reconhecem-se, habitualmente duas fontes principais de conhecimento:

 – A experiência
 – O pensamento

Tanto Descartes como Hume admitem estas fontes de conhecimento, mas atribuem-lhes uma prioridade diferente. É esta divergência que nos leva a caracterizar o primeiro como racionalista e o segundo como empirista.

Segundo Descartes, todo o conhecimento genuíno, infalivelmente justificado, encontra o seu fundamento no pensamento ou na razão. É na intuição racional do cogito que encontramos a primeira certeza, a partir da qual, podemos inferir, de uma forma totalmente a priori, os alicerces de tudo o que sabemos.

Hume, pelo contrário, encontra na experiência a fonte prioritária de conhecimento. Só a experiência nos permite resolver questões de facto. Por si mesmo, o nosso pensamento apenas consegue estabelecer relações de ideias, as quais nada nos dizem acerca do mundo exterior. Todo o conhecimento dos factos que constituem o mundo é a posteriori.

A POSSIBILIDADE (VALIDADE) DO CONHECIMENTO:

Será que sabemos realmente aquilo que julgamos saber?

Será que as nossas pretensões ao conhecimento são válidas?

Este é o problema que trata a validade do conhecimento.

Descartes diria que as nossas pretensões ao conhecimento não são válidas. Mas validá-las é algo que está ao nosso alcance. Recorrendo à dúvida metódica, acabamos por descobrir o cogito e depois por provar que Deus existe. A existência de Deus garante que as nossas faculdades, devidamente utilizadas, proporcionam conhecimento.

Hume, pelo contrário, sugere que muitas das nossas pretensões ao conhecimento são infundadas. Temos conhecimento das nossas próprias percepções, mas, quando vamos além do testemunho dos sentidos e da memória, passamos a apoiar-nos em suposições que não conseguimos justificar, nomeadamente na suposição de que a natureza é uniforme, a qual subjaz a todas as inferências causais, e na suposição de que o mundo exterior é real. Como muitas das nossas crenças se apoiam nestas suposições e elas não estão justificadas, podemos inferir que também essas crenças não estão justificadas e que, portanto, não constituem conhecimento.

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