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by em Junho 26, 2013

APRIORISMO

IMMANUEL KANT (1724-1804). Todo o conhecimento inicia-se com a experiência, mas este é organizado pelas estruturas a priori do sujeito. Segundo KANT o conhecimento é a síntese do dado na nossa sensibilidade (fenómeno) e daquilo que o nosso entendimento produz por si (conceitos). O conhecimento nunca é pois, o conhecimento das coisas “em si”, mas das coisas “em nós”.

“O QUE PODEMOS CONHECER?” esta foi a questão inicial que orientou a sua investigação. Ao contrário dos empiristas, afirmou que a mente humana não era uma “folha em branco”, mas sim constituída por um conjunto de estruturas inatas que recebiam, filtravam, davam forma e interpretavam as impressões externas.

A) SENSIBILIDADE
A sensibilidade é uma faculdade que nos permite receber ou perceber objectos mediante impressões (sensações) através dos sentidos externos. Estas impressões são percepcionadas no ESPAÇO e no TEMPO, formas puras (vazias) que fazem parte das estruturas cognitivas inatas do sujeito. Elas são a condição indispensável para que possamos ter acesso ao conhecimento sensível (empírico).

B) ENTENDIMENTO
O entendimento é uma faculdade que nos permite dar forma, unificar e ordenar os dados recebidos da sensibilidade. Para produzir conhecimentos (juízos) utiliza 12 CATEGORIAS (causa, substância, etc), cuja função é estabelecer relações entre fenómenos (julgamentos). Os juízos são pois operações de interpretação e organização dos dados sensoriais. O conhecimento resulta da aplicação destas categorias (conceitos puros) à experiência.

Classificou os juízos em três tipos:

– JUÍZOS ANALÍTICOS – Ex. “O triângulo tem três lados”. O predicado está contido sujeito. Trata-se de um juízo a priori, isto é, não está dependente da experiência. Este tipo de juízo é universal e necessário.

– JUÍZOS SINTÉCTICOS – Ex.”Os lisboetas medem mais do que 1,3 metros de altura”. O predicado acrescenta elementos novos ao sujeito. Trata-se de um juízo a posteriori, pois assenta em dados da experiência e carece da mesma como prova. Este tipo de juízo não é universal, nem necessário.

– JUÍZOS SINTÉCTICOS A PRIORI (a sua principal inovação teórica). Ex. “Uma recta é a menor distância entre dois pontos”. Este juízo acrescenta algo de novo ao sujeito, mas não está dependente da experiência. Este tipo de juízo é universal e necessário. Ou 7+5=12.

C) RAZÃO
A razão tem a função de sintetizar os conhecimentos, dando-lhes uma unidade. Elabora juízos dos juízos, produzindo “ideias” que ultrapassam os limites da experiência.

D) FENÓMENO/NÚMENO
A teoria do conhecimento de KANT estabelece uma clara distinção entre “fenómeno” e “númeno”.

– O FENÓMENO (“aquilo que se manifesta”) corresponde à realidade empírica, que produz nos nossos sentidos impressões (sensações). É o limite de todo o conhecimento possível. KANT neste ponto concorda com os empiristas.

– O NÚMENO, isto é, a “coisa em si mesma” a nossa estrutura inata apenas nos permite aceder aquilo que se manifesta aos sentidos (o fenómeno). A “coisa em si” é icognoscível”. É impossível, conhecer as coisas que estão para além dos dados dos sentidos, como seja a alma, o mundo (como totalidade) ou Deus. A Metafísica é impossível como ciência. Embora não tenhamos a possibilidade de conhecer as coisas em si mesmas, podemos todavia através da razão tentar compreendê-las.

Esta distinção permitiu-lhe distinguir e delimitar os domínios da Ciência e os da Religião. A Ciência está confinada ao mundo físico, à experiência sensível, cabendo-lhe produzir o conhecimento. A Religião foi remetida para uma dimensão supra-sensível, o númeno. Não produz conhecimento, mas ajuda-nos a compreender o sentido da nossa existência e do mundo. Isto é, não podemos conhecer mas podemos pensar (distinção entre conhecer e pensar).

Distinção entre começar com e derivar de. É a experiência que, para além de gerar representações em nós, põe em movimento a nossa faculdade intelectual, permitindo-nos reconhecer que há conhecimentos a priori, independentemente dela e das várias impressões dos sentidos.

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