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Génio Maligno Descartes

by em Junho 15, 2012

Suporei, por isso, que há, não um Deus verdadeiro, que é a soberana fonte de verdade, mas um certo génio maligno, não menos astuto e enganador do que poderoso, que empregou toda a sua arte em me enganar. Pensarei que o céu, o ar, a terra, as cores, as línguas, os sons e todas as coisas exteriores que vemos, não passam de ilusões e de enganos, de que o génio se serve para surpreender a minha credulidade. Considerar-me-ei a mim próprio como não tendo nem mãos, nem olhos, nem carne, nem sangue, como não tendo nenhum sentido, mas acreditando falsamente ter todas estas coisas. Manter-me-ei obstinadamente agarrado a este pensamento; e se, através deste meio, não está em meu poder chegar ao conhecimento de nenhuma verdade, pelo menos está em meu poder suspender o meu juízo. Por isso ficarei cuidadosamente alerta para não crer em nenhuma falsidade, e prepararei tão bem o meu espírito para todas as astúcias deste grande enganador, que, por muito poderoso e astuto que ele seja, nunca conseguirá impor-me nada.

DESCARTES, René, Meditações Metafísicas, trad. Regina Pereira, Rés-Editora, Porto, 2003, pág. 17 e 18

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