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Chuang Tzu e a Borboleta Mendes Silva

by em Junho 15, 2012

Chuang Tzu e a borboleta

“Uma noite em que estive meditando

Horas longas nas cousas deste mundo

Pouco a pouco me veio o sono brando

E um sonho tão jucundo que ninguém já teve, assim:

Sonhei que era uma lépida e elegante borboleta voando,

De pouso em pouso, sobre o néctar dulcíssimo das flores.

Tempos e tempos, uma vida inteira, andei eu

Com outras companheiras, numa doideira,

Na estação quente dos amores.

Tudo me parecia tão real, tal qual estou dizendo,

E até me lembro que, numa tarde muito fria, quando o sol procurava,

Um vento tão gelado de repente me assaltou,

Tão mal, tão mal, fiquei, que logo ali, sobre um jasmim, morri!

Despertei: e acordado, ainda insecto morto me julguei!

Que sonhos tem a gente – extravagantes!

Sonhos?! – que fosse sonho, então, acreditei,

Mas após muito cogitar vejo só um caso emaranhado!

Justifico: é que a minha convicção

De existir como insecto foi tão firme antes

Como agora é de ser de humana geração!

E, portanto: fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta,

ou sou agora uma borboleta que sonha que é um homem?

Erro do intelecto?

Não sei…”

 

Versão poética (adaptada) de: SILVA, Mendes, Excertos de Filosofia Taoista, Escola das Artes e Ofícios, Macau, 1930

From → Descartes

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