Skip to content

Descartes e o conhecimento

by em Fevereiro 11, 2011

Mas, desde que reconheci que existe um Deus, ao mesmo tempo compreendi também que tudo o resto depende dele e que não é enganador, e daí conclui que tudo aquilo que concebo clara e distintamente é necessariamente verdadeiro, mesmo que não atente mais nas razões pelas quais julguei que isso era verdadeiro, mas apenas me recorde de o ter visto clara e distintamente. Por conseguinte, não se pode alegar em contrário nenhuma razão que me leve a duvidar, mas tenho disso ciência verdadeira e certa. Ciência certa e verdadeira não apenas disso, mas também de todas as outras coisas que me recordo de alguma vez ter demonstrado, como as da Geometria e semelhantes. Então, o que se me pode objectar agora? Talvez que sou feito de tal modo que muitas vezes me engano? Mas já sei que não me posso enganar naquilo que concebo com evidência. (…)

E assim vejo perfeitamente que a certeza e a verdade de toda a ciência dependem unicamente do conhecimento do Deus verdadeiro, a tal ponto que, antes de o conhecer, eu não poderia saber nada, de modo perfeito, de qualquer outra coisa. Porém, agora podem ser perfeitamente conhecidas e certas, para mim, inúmeras coisas, quer do próprio Deus e das outras coisas intelectuais, quer também de toda a natureza corpórea (…).

Descartes, René, Meditações sobre a Filosofia Primeira, Livraria Almedina, Coimbra, 1985, pp. 194-195.

Deixe um Comentário

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: